Já sabemos, hoje, que esse império da razão, que a classe dominante criou, não é nada mais que o império idealizado pela burguesia; que a justiça eterna tomou corpo na justiça burguesa; que a igualdade se reduziu à igualdade burguesa em face da lei; que como um dos direitos mais essenciais do homem foi proclamada a propriedade burguesa; e que o Estado da razão, o "contrato social" de Rousseau, pisou e somente podia pisar o terreno da realidade, convertido na república democrática burguesa. Os grandes pensadores do século XVIII, como todos os seus Predecessores, não podiam romper as fronteiras que sua própria época lhes impunha.
Mas, ao lado do antagonismo entre a nobreza feudal e a burguesia, que se erigia em representante de todo o resto da sociedade, mantinha-se de pé o antagonismo geral entre exploradores e explorados, entre ricos gozadores e pobres que trabalhavam. E esse fato exatamente é que permitia aos representantes da burguesia arrogar-se a representação, não de uma classe determinada, mas de toda a humanidade sofredora. Mais ainda: desde o momento mesmo em que nasceu, a burguesia conduzia em suas entranhas sua própria antítese, pois os capitalistas não podem existir sem os operários assalariados, e na mesma proporção em que os mestres de ofícios das corporações medievais se convertiam em burgueses modernos, os oficiais e os jornaleiros não agremiados transformavam-se em proletários. E se, em termos gerais, a burguesia podia arrogar-se o direito de representar, em suas lutas com a nobreza, além dos seus Interesses, os das diferentes classes trabalhadoras da época, ao lado de todo grande movimento burguês que se desatava, eclodiam movimentos independentes daquela classe que era o precedente mais ou menos desenvolvido do proletariado moderno.
Traço comum ainda hoje é o fato que muitos dirigentes sindicais não atuam como representantes dos interesses do proletariado, apenas seguem as ideias instauradas segundo os princípios dos enciclopedistas, é Injusto e irracional e merece, portanto, ser jogado entre os trastes inservíveis, tanto quanto o feudalismo e as formas sociais que o antecederam. Se até agora a verdadeira razão e a verdadeira justiça não governaram o mundo é simplesmente porque ninguém soube penetrar devidamente nelas. Faltava o homem genial, que se erga ante a humanidade com a verdade, por fim descoberta, o fato de que a verdade tenha sido por fim descoberta agora, e não antes, não é, um acontecimento inevitável, imposto pela concatenação do desenvolvimento histórico, e sim porque a luta dos proletarios conquistaram. Poderia ter aparecido quinhentos anos antes, poupando assim à humanidade quinhentos anos de erros, de lutas e de sofrimentos.
Essa situação histórica Informa também as doutrinas dos fundadores do socialismo. Suas teorias incipientes não fazem mais do que refletir o estado Incipiente da produção capitalista, a incipiente condição de classe, a forma desigual como sao tratados os trabalhadores. Onde estão a solução dos problemas sociais, latentes ainda nas condições econômicas pouco desenvolvidas de nossos trabalhadores. A sociedade não encerrava senão males, que a razão pensante é chamada hoje junto comigo a remediar.
Ainda em tempo, ressalto as “grades ideias” e soluções “milagrosas” que os brilhantes governantes solenemente insistem em nos empurar garganta a baixo, mas que não passam de fantasias, que parecem hoje provocar o riso, para ressaltar sobre o fundo desse "cúmulo de disparates" a superioridade de seu raciocínio sereno. Quanto a nós, pequenos trabalhadores, admiramos os germes geniais de idéias e as idéias geniais que brotam por toda parte sob essa envoltura de fantasia que os filisteus são incapazes de ver.
Mas conosco não seu Zezinho!!


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